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IFC – Cinema Top em Nova York

setembro 4, 2006

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BAM – Brooklyn Academy of Music conta com as melhores salas de cinema em Nova York.

Bem, isso até essa última sexta-feira, quando estive no IFC, no Village.

Agora, tenho duas preferidas.

O IFC tem cara de galeria de arte pós-moderna. Cada detalhe, muito bem pensado, transporta um cinéfilo distraído para um outro estado mental, tornando a experiência de ir ao cinema algo ainda mais especial, digno dos 11 dólares cobrados na catraca. O banheiro é um luxo. A água é filtrada (caso raro em NY), há um bar-restaurante elegantíssimo. As cadeiras são confortáveis, a programação é indie (se é que isso ainda existe – grandes estudios agora possuem seus “estúdios alternativos”, virando tudo saco de uma mesma batata) de primeira.

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BAM continua e continuará sendo meu queridinho, o prédio antigo, o teto todo trabalhando, as óperas e shows…e o que é melhor…no Brooklyn, com as pessoas do Brooklyn, velhinhos e moderninhos dividindo o espaço com, por que não dizer?, respeito.

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Factotum – Chinaski by Matt Dillan? Are you kidding me?

setembro 4, 2006

Sexta-feira, após algumas Guinnes e muitos acordes no 55Bar – meu lugar favorito para se ouvir jazz no Village, NY – acabamos decidindo entrar na última sessão de Factotum, (2005, dirigido pelo norueguês Bent Hamer) em cartaz no IFC

O filme não era de todo mau. 

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Marisa Tomei estava excelente. Até feia ela estava. Decadente, cheia de glamour e mofo, como convém a uma compania de Chinaski.

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Lili Taylor estava perfeita como Jan – a namorada de nosso anti?-herói Henry Chinaski. Lili me fez visitar várias mulheres que conheci desde que me mudei para os Estados Unidos, enquanto trabalhava no universo dos sub-empregos em Nova Orleans. Lili me lembrou uma em particular, chamada Judi, garçonete do bar Mona’s, 50 anos, ex-viciada, ex-bêbada, de olhos belíssimos, que poderia ter sido de uma garota de cinema, na época em que garotas de cinemas eram genuinamente belas, bêbadas e viciadas.

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Eu e Judi trabalhamos juntas por três meses. Ela trabalhava com uma energia impressionante. Durante intervalos de 30 ou 40 minutos, entrava no banheiro, onde permanecia por uns dez minutos, e retornava ao trabalho, com um pique alucinante. Um dia conheci o marido-amigado de Judi. Era o Chinaski. Soube que ele apostava em cavalos, bebia absurdamente e além dos cheques do salário desemprego, ele ganhava uns trocados trabalhando de zelador no prédio onde moram.

O namorado-marido-amigo de Judi não se parece com Matt Dillan. Matt Dillan se parece com o campeão do time de futebol americano de alguma faculdade do norte do país.

O que passou pela cabeça de quem realizou o casting em oferecer Chinaski a Dillan?

Quero meu bêbado de volta!

Nesse sentido, Barfly pode ser considerado um filme muito mais fiel à obra de Bukowski.

Não que Bukowski se importa com o grau de fidelidade empregado na adaptação de suas obras.

Esqueça o livro Hollywood…Bukowski foi nada mais que um personagem…um marketeiro de si mesmo…Meu sogro conheceu Bukowski, bêbado, fazendo gracinha em um congresso para aluninhos bem nascidos e bem educados. As Universides pagavam uma fortuna por seus “talks”. Ele chegava, cuspia na platéia, exatamente como o esperado, depositava seu cheque, comprava uma garrafa de vinho e escrevia algumas linhas sobre um mundo que não foi exatamente o seu. 

Escritor bêbado? Que novidade! Não são quase todos…assim como os pilotos… Sub-emprego? Mostre-me apenas um americano que não tenha servido mesas ou limpado chão que eu passarei admirar nosso escritor. 

   

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Batalha no Céu, de Carlos Reygadas: I want my money back!

setembro 3, 2006

Clichês recheados por tediosas tomadas na melhor versão Kieslowski à la cucaracha, Batalha no Céu, longa dirigido por Carlos Reygadas, deveria indenizar aqueles que, desatentos, acabaram deixando seus reais na catraca do cinema.

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Pretencioso, o diretor busca a controversa à qualquer custa. A película inicia-se com um cuidadoso close na jovem com ares europeu Anapola Mushkadiz realizando sexo oral no obeso motorista de seu pai. A belíssima garota rica mexicana ocupa seu tempo entre viagens e trabalhando com as amigas como prostituta em um apartamento também conhecido como “Boutique”.  O motorista confidencia à filha do patrão que participara de um sequestro onde um bebê acabara morrendo. A generosa menina rica, na melhor versão Maria Madalegna não arrependida, oferece-lhe redenção, não cobrando por seus serviços, mas anunciando, após o ato, que lhe entregaria à polícia. O motorista mata a garota. Última cena? Adivinhe. Novamente a garota oferendo seus serviços orais ao funcionário do pai. A bela para o ato, olha em direção ao motorista e diz que lhe ama. Agora some apenas enfadonhas e morosas cenas de peregrinos a caminho da Basílica Nossa Senhora de Gadalupe, da bandeira do México, de genitálias, de corredores do metrô e do trânsito na Cidade do México e tem-se o filme por completo.

O diretor optou por atores sem experiência cênica e o resultado é bastante previsível. Não  se contrata um advogado para pilotar um avião, não se contrata uma professora para exercer medicina. Será a profissão de ator uma função menor que, a qualquer hora, pode substituída por amadores, desvalorizando assim toda e qualquer técnica, estudo e pesquisa? Quantas atuações medíocres teremos que suportar em nome do “improviso”, ou será simplesmente (alimento minhas suspeitas) em nome da economia e falta de profissionalismo?

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Não há como negar a capacidade cinematográfica de Reygadas. Algumas cenas, mesmo que superficiais, são belas. O diretor ganhou renome ao dirigir e produzir sua primeira película Japón, ainda que pretenciosa, interessante e com belas cenas. Infelizmente o mesmo não ocorreu com Batalha no Céu. Dessa vez, os euros e pesos vindos de insenções de impostos e investidos na produção do filme teriam sido melhor empregados na manutenção de jardins ou na compra de uniformes de balé de alguma escola primaria.

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