Sexta-feira, após algumas Guinnes e muitos acordes no 55Bar – meu lugar favorito para se ouvir jazz no Village, NY – acabamos decidindo entrar na última sessão de Factotum, (2005, dirigido pelo norueguês Bent Hamer) em cartaz no IFC.
O filme não era de todo mau.

Marisa Tomei estava excelente. Até feia ela estava. Decadente, cheia de glamour e mofo, como convém a uma compania de Chinaski.

Lili Taylor estava perfeita como Jan – a namorada de nosso anti?-herói Henry Chinaski. Lili me fez visitar várias mulheres que conheci desde que me mudei para os Estados Unidos, enquanto trabalhava no universo dos sub-empregos em Nova Orleans. Lili me lembrou uma em particular, chamada Judi, garçonete do bar Mona’s, 50 anos, ex-viciada, ex-bêbada, de olhos belíssimos, que poderia ter sido de uma garota de cinema, na época em que garotas de cinemas eram genuinamente belas, bêbadas e viciadas.

Eu e Judi trabalhamos juntas por três meses. Ela trabalhava com uma energia impressionante. Durante intervalos de 30 ou 40 minutos, entrava no banheiro, onde permanecia por uns dez minutos, e retornava ao trabalho, com um pique alucinante. Um dia conheci o marido-amigado de Judi. Era o Chinaski. Soube que ele apostava em cavalos, bebia absurdamente e além dos cheques do salário desemprego, ele ganhava uns trocados trabalhando de zelador no prédio onde moram.
O namorado-marido-amigo de Judi não se parece com Matt Dillan. Matt Dillan se parece com o campeão do time de futebol americano de alguma faculdade do norte do país.
O que passou pela cabeça de quem realizou o casting em oferecer Chinaski a Dillan?
Quero meu bêbado de volta!
Nesse sentido, Barfly pode ser considerado um filme muito mais fiel à obra de Bukowski.
Não que Bukowski se importa com o grau de fidelidade empregado na adaptação de suas obras.
Esqueça o livro Hollywood…Bukowski foi nada mais que um personagem…um marketeiro de si mesmo…Meu sogro conheceu Bukowski, bêbado, fazendo gracinha em um congresso para aluninhos bem nascidos e bem educados. As Universides pagavam uma fortuna por seus “talks”. Ele chegava, cuspia na platéia, exatamente como o esperado, depositava seu cheque, comprava uma garrafa de vinho e escrevia algumas linhas sobre um mundo que não foi exatamente o seu.
Escritor bêbado? Que novidade! Não são quase todos…assim como os pilotos… Sub-emprego? Mostre-me apenas um americano que não tenha servido mesas ou limpado chão que eu passarei admirar nosso escritor.